13/07/2022 11:19 | SegurançaSaúdeAssistência Social

Crianças de 0 a 11 anos são as maiores vítimas de violência sexual em Alagoas

Assunto foi pauta durante visita da primeira-dama, Marina Dantas, ao Hospital da Mulher, que é referência no atendimento às vítimas


Fabiana Barros

De janeiro até junho deste ano, 315 pessoas foram vítimas de violência sexual em Alagoas. Os números se tornam ainda mais estarrecedores quando revelam que, desse total, 110 são crianças entre 0 e 11 anos. A violência sexual foi um dos temas abordados na terça-feira (12) durante a visita que a primeira-dama, Marina Dantas, coordenadora de um programa voltado à primeira infância, fez ao Hospital da Mulher. Na sequência, a visita aconteceu na Maternidade Escola Santa Mônica, referência no atendimento a gestantes de alto risco. 

Em 2020, o monitoramento registrou 448 casos de violência sexual no Estado. No ano passado, 535. No Hospital da Mulher, a vítima recebe acolhimento médico, psicológico, de assistência e também conta com o acolhimento policial, podendo fazer o Boletim de Ocorrência (BO) na própria unidade de saúde. 

No sentido não apenas de prestar atendimento às vítimas, mas também trabalhar na perspectiva de evitar essas violências, a área lilás do Hospital da Mulher faz interlocução com diversas áreas, a exemplo da Assistência, Segurança Pública e Educação.

Com a pandemia, as crianças ficaram em casa, onde acontece o maior número de casos de violência sexual. Diante do cenário, profissionais da área lilás foram para dentro da escola dar suporte aos profissionais da educação.

Junto com a Assistência, a área lilás atua por meio do Crea e dos Cras. Como uma parte do atendimento está diretamente relacionado à primeira infância, a intenção é começar a capacitar os profissionais das creches, pois os profissionais da área alertam para o aumento de vítimas sexuais na faixa etária a partir de 0 ano. “Os bebês, quando chegam às portas das UPAs, já estão em óbito. E essas crianças não têm uma comunicação verbal. Então, é necessário iniciar um processo de conscientização e de educação junto a esses pais”, afirmou a coordenadora da Rede de Atenção às Vítimas de Violência Sexual (RAVVS), área lilás, Camille Wanderley. 

De acordo com Camille, o Hospital Dr. Daniel Houly, em Arapiraca, tem uma área lilás, mas é importante fortalecer, já que a Delegacia Especializada não funciona todos os dias. É importante, ainda, ter pelo menos dois dias com perito porque amplia o atendimento para toda a segunda macrorregião de saúde.

A proposta é aumentar a rede para outros municípios com base nas estatísticas, a exemplo de São José da Tapera, onde 20 casos de crianças vítimas de violência sexual foram registrados. “A gente não pode retroceder nessa política pública. Alagoas, hoje, é referência nacional na área lilás. Hoje, puxamos um grupo do Nordeste para trabalhar conjuntamente. E conseguimos isso graças à gestão”, afirmou Camille. 

Para a primeira-dama Marina Dantas, esses encontros são relevantes por promover momentos de discussões com profissionais que apontam possíveis saídas para garantir a segurança da primeira infância e até medidas que venham a beneficiar a população em geral. “As cicatrizes da violência sexual são carregadas pelas vítimas por toda vida. Em crianças, que deveriam ser protegidas pelas famílias, seu algoz está muitas vezes dentro de casa. Vamos estudar a melhor forma de orientar os profissionais das creches e levarmos essa conscientização para dentro dos lares”, explicou a primeira-dama. 

 O Hospital da Mulher funcionou com 70 leitos de terapia intensiva no auge da pandemia de Covid. A unidade de saúde é considerada estratégica para atender as demandas do Estado, conforme as necessidades que surgem. A visita também tratou de outras áreas, como a maternidade, farmácia, entre outras.

Alto risco

De sete a oito partos por dia. Essa é a rotina da Maternidade Escola Santa Mônica. As pacientes passam pela rede de risco habitual e são reguladas pelo Cora. “Por ser de risco e ter essa necessidade de focar no perfil, a rede se organizou dessa forma. Então, quando as pacientes que chegam são referenciadas pelo Cora, regulada. Chega gestante aqui com iminência de eclampse, crise convulsiva, hemorragia ”, explicou a supervisora da Santa Mônica, Elisângela Torres de Lima Sanches.

De maio deste ano até o momento, 21 gestantes que chegaram à Maternidade Santa Mônica testaram positivo para Covid. Com a disponibilização das vacinas, as pacientes apresentam quadros leves. No entanto, a direção da unidade de saúde adota todos os cuidados, desde a recepção, assegurando o isolamento. 

Segundo Elisângela, na primeira onda de Covid, várias pacientes chegaram com o quadro grave, pois ainda não havia sido disponibilizada a vacina. “Teve um caso, inclusive, de uma paciente que passou 90 dias internada na UTI e conseguiu se recuperar”, disse. 

Após a vacinação, as gestantes que contraíram Covid chegam à Santa Mônica com quadro leve da doença. Nesse caso, ao chegar com sintomas gripais, elas são isoladas desde a classificação de risco, são notificadas e solicitada a coleta do teste. 

Acompanhada por profissionais da Santa Mônica e do secretário estadual de Saúde, Gustavo Pontes, Marina visitou toda a estrutura da maternidade que também é referência no Banco de Leite.