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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Sexta, 26 Fevereiro 2021 12:17
ensino superior

Mais de 200 reeducandos foram inscritos no Enem este ano

Mirando à ressocialização, estudantes pleiteiam uma vaga no ensino superior

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Reeducando Henrique Gregório quer aproveitar oportunidade de ingressar em universidade federal Reeducando Henrique Gregório quer aproveitar oportunidade de ingressar em universidade federal Jorge Santos
Texto de Mayara Wasty

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é a porta de entrada para o ensino superior no Brasil e, por meio dele, estudantes têm a possibilidade de ingressar em uma universidade. Para as pessoas privadas de liberdade, além de a possibilidade de estudo, a graduação representa a esperança de um futuro diferente.
 
Nos dias 23 e 24 deste mês de fevereiro, a possibilidade desta mudança tornou-se mais factível no sistema prisional com o Enem PPL, destinado a estudantes privados de liberdade ou sob medida socioeducativa. Este ano, 27 salas foram criadas para acolher os 216 reeducandos inscritos em Alagoas. Destes, 153 realizaram a prova para pleitear uma vaga em uma faculdade. O número de ausências se deve, em sua maioria, à emissão de alvarás de soltura.
 
A aplicação aconteceu simultaneamente nas unidades prisionais da capital e do Agreste e contou com o apoio logístico dos policiais penais e profissionais da Gerência de Educação, Produção e Laborterapia (GEPL) da Secretaria da Ressocialização e Inclusão Social (Seris), como destaca Cinthya Moreno, policial penal e chefe da GEPL.
 
“Por estarmos em uma pandemia, direcionamos ainda mais energia e cuidado para a realização do Enem. Foi um grande desafio, mas sabemos a importância que a educação tem na vida das pessoas, mais ainda para os privados da liberdade, já que, para eles, os estudos também representam uma perspectiva de vida”, disse a gestora.
 
A logística para a execução do Enem foi reforçada com o distanciamento social e a disponibilização de equipamentos de proteção individual, além da troca de máscaras – entre os reeducandos – a cada três horas. “Todos os esforços foram direcionados para a execução do Enem. Mobilizamos vários setores, como escolta, segurança, transporte e alimentação, além dos policiais penais e chefes de unidades prisionais. Tudo para que a prova ocorresse com segurança”, completou a policial penal.
 
Henrique Gregório foi um dos estudantes que realizaram a prova. Apesar de já estar cursando o ensino superior, o reeducando busca o ingresso em uma universidade pública.  “Eu já estou no quinto período de administração em uma faculdade particular, mas resolvi tentar novamente o Enem porque estou tentando ingressar na universidade federal”, disse.
 
Para Gregório, a educação foi fator determinante para uma mudança pessoal. “Eu já faço o Enem desde 2015, e foi justamente esta prova que me permitiu concluir o ensino médio. Tive oportunidades lá fora, mas acabei me afastando delas. Hoje, porém, posso dizer que redescobri o prazer de estudar”, emendou o reeducando.