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Governo do Estado de Alagoas
Quinta, 14 Janeiro 2016 16:57

Alagoano autor de três livros usa a poesia para vencer a cocaína e o crack

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Aos 50 anos, o historiador é autor de três livros: Absoluto Obsoleto, escrito e lançado em 1994, Janelas (sobre noites e bêbados), de 2009 e “A palavra vira poesia”, escrito durante o acolhimento e lançado no ano passado pela editora carioca Multifoco. Aos 50 anos, o historiador é autor de três livros: Absoluto Obsoleto, escrito e lançado em 1994, Janelas (sobre noites e bêbados), de 2009 e “A palavra vira poesia”, escrito durante o acolhimento e lançado no ano passado pela editora carioca Multifoco. Foto: Daniel Dabase

“Contrariando regras/ Por muito tempo vivi/Viver o contrário/ Foi o que escolhi/ Nadar contra a correnteza/ Muitas vezes eu quis/ Um anjo ao avesso/ Foi o que fui/ Vivi o que escolhi/ Tão triste fiquei/Num ser solitário me tornei/ Basta! Cansei! / Hoje eu quero/ Contrariar essa regra/ Nadar contra/ Essa corrente/ Tornar-me um anjo contente”

 

Os versos acima traduzem o transbordamento da vontade de fazer diferente. Foi assim, no lirismo, que o poeta, escritor, professor, historiador e jornalista alagoano Pedro César da Silva encontrou suporte para enfrentar o sofrimento causado pelas drogas durante grande parte de sua vida.

Tudo começou aos 18 anos, quando se viciou em cigarro e bebidas alcoólicas. Aos 24, ainda na escola, conheceu a maconha. “As pessoas mais invejadas fumavam maconha. Eu queria fazer parte daquele grupo. Foram longos anos usando maconha”, confessou.

 

Pedro casou, teve duas filhas, mas manteve o uso da maconha. Após 8 anos, veio a separação. Amargurado com o fim do relacionamento, entrou em depressão e conheceu a cocaína.

 

O descontrole no uso da substância o fez procurar um hospital psiquiátrico onde foi internado três vezes. “O tempo foi passando e eu não conseguia largar a droga. No ano em que eu completaria 40 anos, conheci o crack”, contou.

 

Deu início, então, a uma fase de angústia cujo sentimento afastou amigos e familiares. “Sou funcionário público concursado, mas perdi a credibilidade. Tive que me afastar do trabalho por invalidez, porque as pessoas não confiavam mais em mim”, detalhou.

 

 

“Quando pensei que tudo estava perdido, um amigo acendeu uma luz. Ele me contou sobre as comunidades terapêuticas voltadas para dependentes químicos”, descreveu. As comunidades citadas pelo amigo são da Rede Acolhe e oferecem acolhimento gratuito custeado pelo Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev).

 

“Este é apenas um dos grandes exemplos de superação fruto dos resultados da Rede Acolhe. A Seprev vem apoiando a iniciativa dando suporte para que o trabalho produtivo e de reinserção social seja feito de forma plena”, enfatizou o secretário de prevenção à violência, Jardel Aderico, ao receber o escritor nesta quinta-feira (14) na sede da secretaria.

 

Após duas recaídas em acolhimento, foi na Comunidade Bom Samaritano, localizada em Penedo, que veio a terceira chance do poeta.“Cheguei lá desacreditado, tomando remédios controlados, andava robótico. Tive oportunidades que não esperava mais ter na vida”, relembrou.

 

O jornalista está há um ano fora da comunidade. “Estou limpo até hoje. Botei na minha cabeça que nada é motivo para se drogar. Qualquer pessoa que chegar ao fundo do poço pode subir. Como dizia Clarice Lispector: “tudo começa com o sim”, finalizou.

 

Aos 50 anos, o historiador é autor de três livros: Absoluto Obsoleto, escrito e lançado em 1994, Janelas (sobre noites e bêbados), de 2009 e “A palavra vira poesia”, escrito durante o acolhimento e lançado no ano passado pela editora carioca Multifoco.

 Texto e fotos: Daniel Dabasi