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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Quarta, 04 Setembro 2019 12:16
Bate papo

Roda de conversa com o rapper GOG coloca em evidência a juventude negra e a realidade da periferia

Evento faz parte do projeto Juventudes Negras: Vidas Importam, da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos, que tem três etapas e culminará com um Fórum Estadual

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Genival Oliveira Gonçalves, de 54 anos, o GOG, é rapper, ativista e escritor. Genival Oliveira Gonçalves, de 54 anos, o GOG, é rapper, ativista e escritor. Divulgação
Texto de Ana Cristina Sampaio e Letícia Sobreira

“Pesquisa publicada prova, preferencialmente preto, pobre, prostituta pra polícia prender. Pare, pense, por quê?”, questiona o um dos maiores nomes do rap brasileiro. Famoso por ser o pioneiro do hip hop no Distrito Federal e pela alcunha de "O poeta do rap nacional", GOG é ativista dos direitos humanos e da igualdade racial, conhecedor da realidade da periferia do Brasil. Seus versos expressam o cotidiano de quem vive na marginalidade.  Premiado nacionalmente, o rapper agora vem a Maceió para bater um papo com os jovens negros e estudantes das periferias da capital alagoana.

A Roda de Conversa com GOG acontece na próxima sexta-feira, dia 06, a partir das 18h30, no auditório do Hotel Jatiúca. O evento é gratuito e têm vagas limitadas, as inscrições estão disponíveis através do link https://doity.com.br/juventudes-negras. O bate-papo é a segunda etapa do projeto "Juventudes Negras: Vidas Importam", da Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (Semudh), que se iniciou com escutas em escolas e associações de bairros da periferia de Maceió, entre julho e agosto deste ano, para levantar os anseios da juventude negra, e transformar numa proposta que deverá ser debatida em seminário no mês de novembro, como preparação do Fórum Estadual da Juventude Negra.

“Prossigo: pela periferia praticam perversidades”, alerta o poeta em uma lírica regida por uma única letra do alfabeto. É com a mesma sensibilidade que Maria Silva, secretária da Semudh, se dispõe a aproximar o poder público das comunidades em situação de vulnerabilidade. “Enquanto gestores de órgãos públicos devemos usar nossos espaços para da voz ao povo. É preciso ouvir o grito que pede socorro contra o genocídio da juventude negra e periférica. Estamos aqui em luta contra essa invisibilização social dos nossos iguais”, disse a secretária.

Hip Hop de Alagoas

O Hip Hop, movimento cultural constituído por diversas expressões artísticas, também possui uma cena forte no Estado, sendo muito utilizado como instrumento de resgate entre jovens que vivem em instabilidade social. Dentro da programação da Roda de Conversa com o GOG, haverá uma apresentação especial de estudantes da Escola Estadual Maria Salete Gusmão, localizada no Conjunto Osman Loureiro, que participam do projeto Na Base da Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura, que desenvolve oficinas temáticas nas bases comunitárias em diversos bairros. No caso do Osman Loureiro, o trabalho foi o Hip Hop, que fará uma performance com a música “Toda Mina é uma Rainha e Não Precisa de um Rei”. As oficinas no Osman Loureiro são ministradas pelo pedagogo Fernando Rozendo (MC Tribo), que também vai participar da Roda de Conversa.

De acordo com o superintendente de Políticas para os Direitos Humanos e Igualdade Racial, da Semudh, Mirabel Alves, faz parte dos desafios da pasta ampliar a articulação institucional para chegar aos jovens, especialmente os negros da periferia que precisam de voz e de políticas públicas adequadas. “Estamos indo aos bairros para ouvi-los. Agora, com a presença do GOG, aqui em Maceió, queremos proporcionar um momento cultural, mas com caráter educativo e socializador”, disse.

Para a secretária da Semudh, Maria Silva, o GOG tem uma vivência que o credencia não apenas como rapper, mas como cidadão do mundo que vive e conhece a periferia do País. “Ele é negro e periférico e sabe bem como é a vida de quem mora distante das regiões centrais da cidade. Sua presença em Maceió vai enriquecer ainda mais nosso projeto Juventudes Negras: Vidas Importam, uma proposta de aproximação do Estado a essa população que necessita de políticas públicas que sejam compatíveis com a realidade deles”, completou Maria.