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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Quinta, 04 Abril 2019 20:32
Prevenção

Polícia Militar lança campanha de valorização da vida e prevenção ao suicídio na Corporação

Objetivo é criar uma rede de multiplicadores dentro da Corporação e com a ajuda da sociedade civil por em prática estratégias que reduzam casos suicidas

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Campanha e cartilha com orientações foram lançadas no Auditório da APMSAM, no bairro do Trapiche da Barra, com a presença do subcomandante-geral da Corporação. Campanha e cartilha com orientações foram lançadas no Auditório da APMSAM, no bairro do Trapiche da Barra, com a presença do subcomandante-geral da Corporação. Foto: Roberison Xavier
Texto de Roberison Xavier

“Para continuar superior ao tempo, cuide-se hoje”, este é o lema da campanha Mídia e Suicídio: é possível prevenir na quarta-feira (3) pelo Centro de Assistência Social (CAS) da Polícia Militar de Alagoas. O lançamento foi realizado no Auditório da Academia de Polícia Militar Senador Arnon de Mello, no bairro Trapiche da Barra, em Maceió, com a presença do subcomandante-geral da PM, coronel Wilson da Silva, que está respondendo pelo comando-geral da Corporação.

 

A campanha tem o objetivo de unir forças entre os militares, a imprensa e sociedade civil com estratégias de prevenção ao suicídio, fortalecendo uma cultura de cuidado e atenção, além de combater preconceitos relacionados ao adoecimento mental e ao sofrimento psíquico. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda causa de morte entre os jovens no mundo e uma das dez maiores causas de forma geral.

 

De 2012 a 2018, pode ser observado um crescimento de 35% nos casos de suicídio dentro da Polícia Militar de Alagoas. Levando em considerações também as tentativas, a PM apresenta uma taxa elevada, chegando a 57 por 100.000 habitantes em 2018, índice bem superior às taxas verificadas no estado (média de 4,5) e no Brasil (média de 5,8).

Jornalista e psicólogo Arnaldo Santtos palestrou sobre o comportamento suicida sob a ótica o Efeito Werther (Foto: Roberison Xavier)

O evento também contou com a participação da coronel Valdenize Ferreira, coordenadora do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) em Alagoas, dos tenentes-coronéis Monica Rajand, chefe do CAS, e Francelino Tenório, comandante do Batalhão de Polícia Escolar (BPEsc), além de oficiais de todas as unidades da Corporação.

 

“Nós estamos empenhados no tratamento ao assunto que tanto aflige nossa Corporação. Precisamos buscar soluções para esse problema, que é resultado de outras doenças que são o mal do século. Com a presença de representantes das unidades da PM em todo o Estado, já podemos pensar em ampliar as ações de prevenção que já vêm sendo realizadas pelo Centro de Assistência Social, para que futuramente com a ajuda de profissionais da área que são militares possamos ter um centro de ajuda em cada unidade”, afirmou o coronel Wilson da Silva.

 

O oficial superior ainda reforçou a importância do acompanhamento aos militares já mesmo desde a entrada na Corporação. “O policial militar vai se deparar com uma série de situações que é preciso muito equilíbrio emocional, pois se não tenho como me equilibrar e cuidar da própria vida será difícil cumprir nossa missão constitucional com o uso dos instrumentos de trabalho”, enfatizou o subcomandante-geral da PM.

 

Durante o evento, o vice-presidente do Centro de Promoção de Saúde, Educação e Amor à Vida (Cavida), o jornalista e psicólogo Arnaldo Santtos, fez uma palestra sobre como lidar com o comportamento suicida a partir da ótica do Efeito Werther, termo usado para o aumento de casos por causa da imitação pela ampla divulgação.

 

“Essa campanha chega num momento ímpar na nossa Corporação e tenho certeza que ela vai ajudar muitos aos nossos companheiros a identificar quaisquer alterações de comportamento dos colegas. A cartilha que também está sendo lançada hoje traz orientações muito bem detalhadas e vai ajudar as pessoas a entender realmente a importância de se falar sobre o assunto, e consequentemente, serão agentes multiplicadores dessa nossa missão”, ressaltou a tenente-coronel Monica.

Cartilha de orientação

A campanha também é composta por uma cartilha de orientações que foi elaborada pelas equipes do Centro de Assistência Social e da Assessoria de Comunicação da PM. Nela estão dados referentes a casos e também instruções de como identificar fatores de risco e a verificar os fatores de proteção ao comportamento suicida.

 

Na cartilha, há também orientações quanto aos sinais que merecem da atenção não só dos colegas, mas também de todos os familiares, para que em um trabalho conjunto possam colaborar como instrumentos transformadores da realidade. Em uma ação continuada, a produção também traz alguns cuidados importantes na prevenção, principalmente com a divulgação dos casos, para evitar o efeito de contágio, conforme manual elaborado pela OMS.

 

Todo o material segue a linha do Programa de Valorização da Vida e Prevenção ao Suicídio na Polícia Militar de Alagoas, que entrou em vigor no último dia 20 de março após estudos realizados pela equipe de profissional especializada do CAS.

Mudança de perfil

Com os estudos feitos pelo Centro de Assistência Social da PM de 2012 para cá, foi verificado uma grande mudança no perfil dos casos suicidas dentro da Corporação. Anteriormente observava-se que a consumação se dava mais entre os homens, com faixa etária de 49 anos e consequentemente já estavam há mais de vinte anos na instituição, tendo um desgaste maior por causa do trabalho. Ultimamente, de acordo com a capitã Larissa Omena, psicóloga do CAS, o registro tem sido entre mulheres jovens.

Campanha e cartilha com orientações foram lançadas no Auditório da APMSAM, no bairro do Trapiche da Barra, com a presença do subcomandante-geral da Corporação(Foto: Roberison Xavier)

“De 2012 a 2015, nós tivemos cinco suicídios de policiais masculinos. Este era o perfil do público alvo de ações de prevenção. Mas entre 2018 e 2019, tivemos cinco casos, quatro deles de mulheres numa faixa etária de 20 a 35 anos, ou seja jovens inclusive com pouco tempo de serviço, no máximo dez anos. Isso tem sido um grande desafio para equipe que precisou remontar as ações por causa dessa mudança”, informou a oficial especialista.

 

“Além do acompanhamento que fazemos com pessoas suscetíveis à consumação, sempre que acontece um caso nós fazemos um levantamento para identificar fatores que podem ter contribuído nesse fenômeno e o que nós temos notado é que o adoecimento mental é realmente a principal causa. Se fala muito em depressão, mas na verdade há outros transtornos que contribuem ainda mais como o transtorno de personalidade, o esquizofrênico, o delirante, que são de difícil tratamento. Nós estamos dando foco também em nossas ações a trabalhos de prevenção nesse sentido”, concluiu a capitã Larissa.

 Divulgação (Ascom PMAL)