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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Quinta, 10 Janeiro 2019 09:06
REFERÊNCIA

HGE aumenta em mais de 740% número de cirurgias vasculares nos últimos 4 anos Destaque

Investimento em novos leitos para cirurgias vasculares e endovasculares, além da melhoria na qualidade do serviço estão entre as causas do avanço

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HGE se transformou em referência no atendimento a pacientes que necessitam de cirurgia vascular HGE se transformou em referência no atendimento a pacientes que necessitam de cirurgia vascular Thallysson Alves
Texto de Thallysson Alves

Criado pelo governo do Estado em 2014, o Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Geral do Estado (HGE) realiza uma média de 12 mil atendimentos por ano. Até 2013, antes da implantação do serviço, o maior hospital público do Estado realizava quase 500 cirurgias por ano, mas, em 2018, o número passou para 4.206 procedimentos, representando um aumento de 741,2%.

Para atender toda essa demanda, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) também aumentou o número de leitos exclusivos para a cirurgia vascular e endovascular. Quando inaugurada a Ala B, somente 20 leitos estavam disponíveis; agora o HGE conta com 25 leitos e mais 10 disponíveis em outras alas, que também estão inseridas nos mapas de visita dos médicos.

Entre os beneficiados está a aposentada Tânia Maria Pereira, de 64 anos. No fim de novembro do ano passado, ela caminhava pela calçada de sua casa, quando sofreu uma topada. Como a dor foi pequena, ela achou que suas ervas e sabão ajudaria na cicatrização, o que não aconteceu e começou a “beliscar”. Angustiada, mostrou o pequeno ferimento a uma de suas vizinhas, que a levou para um posto de saúde e, logo em seguida, ao HGE, onde recebeu a notícia de que notícia de que seria preciso amputar o dedo grande do pé direito. 

Tânia ficou pavorosa, começou a chorar. Não acreditou no que o cirurgião vascular Josué Medeiros estava dizendo. Ela se negou ficar internada e voltou para casa. A triste notícia aconteceu no último dia 13 de dezembro, resultando em uma noite de muito choro e busca pela aceitação da complicação causada pela diabetes, que há mais de 20 anos convivia sem dificuldades, tomando as devidas precauções, através de consultas médicas, alimentação balanceada e acompanhamento dos níveis de glicemia.

“Eu tinha parado de me exercitar, ficava mais em casa. Então na calçada levei essa topada, mas achei que era besteira. Eu moro sozinha, minha vida toda foi trabalhando em casa de família. Tenho só um irmão, que mora no Rio de Janeiro, e uma vizinha que para mim é como uma filha. Por isso, mostrei pra ela, que se dispôs a ir comigo mostrar ao médico. Eu fiquei muito assustada quando o doutor falou que eu ia perder um dedo do pé, não esperava que a situação estivesse tão grave, mas eu sabia que precisava aceitar e voltar ao hospital”, recordou a aposentada, que vive no Prado, bairro de Maceió.

 Aposentada Tânia Maria Pereira recebe o carinho da vizinha após realizar cirurgia no HGE (Foto: Thallysson Alves)

De volta ao HGE, após quatro dias, outra médica atendeu Tânia, a cirurgiã vascular Lídia Costa. De cara a mesma notícia: precisaremos amputar seu dedo grande do pé direito. Mais, calma, dessa vez, a aposentada aceitou a internação e não só amputou o halux do pé direito. Ela foi submetida a duas angioplastias (com stent femoral e poplítea) e a angiografia (na aorta ilíaca e em todo o membro inferior direito).

Ambos os procedimentos são de alta tecnologia, minimamente invasivos. O primeiro repara o vaso estreitado e obstruído; e o segundo mapeia todos os vasos sanguíneos para verificar seu funcionamento. O trauma causou uma inflamação que necessitava de mais sangue para a cicatrização da lesão, o que não ocorreu devido à obstrução existente na sua circulação, evoluindo para necrose do dedo. Caso não fosse realizado este procedimento, poderia levar a amputação de toda a perna ou até mesmo à morte, caso não encontrasse os serviços oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no HGE.

Excelência e qualidade de vida

De acordo com o coordenador do Serviço de Cirurgia Vascular do HGE, Cezar Ronaldo Alves, o reflexo desse estrondoso crescimento no número de atendimentos está na intensa procura pela unidade hospitalar, seja de usuários do SUS de Alagoas ou de outros estados, ou até mesmo cidadãos com planos de saúde.

Cirurgião vascular, Cezar Ronaldo, destaca que investimentos possibilitaram ampliar atendimentos (Foto: Thallysson Alves)

“Cada vez que avançamos, mais pacientes atendemos, mais procedimentos realizamos. Todos passaram a vir só para cá, onde, hoje, podemos afirmar que temos uma das melhores e mais completas linhas de cuidados em cirurgia vascular do Estado”, assegurou.

 

Para 2019, o HGE continuará fortalecendo a atuação da cirurgia vascular e endovascular dentro e fora da unidade. Fora, porque o esforço em querer dar um a melhor qualidade de vida aos alagoanos ultrapassou os muros, alcançando as ruas, através de campanhas preventivas, realizadas na orla e nos shopping da capital.

 

“Fazemos esclarecimentos porque temos a ciência que, cerca de 80% daqueles que têm alguma ferida e buscam atendimento no HGE, não sabem que têm diabetes. Isso é muito sério, causado por falta de informação. O que resulta em perdas físicas e sócio econômicas, elevando os gastos com os tratamentos e sobrecarregando o setor previdenciário. Portanto é de extrema importância que as pessoas se cuidem e busquem orientação médica ao perceberem algo anormal no próprio corpo”, defendeu a gerente do HGE, Marta Mesquita