Notícias

AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Quarta, 02 Janeiro 2019 10:29

DISCURSO DE POSSE - ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO (1º DE JANEIRO DE 2019)

Compartilhe:

  • Facebook
  • Twitter

Discurso na Assembleia Legislativa

Governador Renan Filho

1º de janeiro de 2019

(...) minhas senhoras, meus senhores:

Em primeiro lugar, quero registrar meu agradecimento ao Poder Legislativo alagoano, na pessoa de seu presidente, Deputado Luiz Dantas, pela parceria, pela participação desta casa no empenho realizado pelo governo do Estado para transformar Alagoas durante o período 2015/2018. Gostaria ainda de parabenizar a todos os eleitos no último pleito para a assembleia, para a Câmara Federal e para o Senado Federal, destacando – como disse em campanha – que vamos precisar muito do reforço de todos, especialmente do senador Renan que seguirá ao seu quarto mandato como senador por Alagoas.

 

Presidente Luiz Dantas, senhores deputados, senhoras deputadas, muito obrigado pelo fundamental apoio.

 

No dia primeiro de janeiro de 2015, aqui nesta mesma tribuna, repeti o dito na campanha de 2014: se Alagoas me desse a oportunidade de ser governador do Estado, transformaria esta missão na missão da minha vida.

Fernando Pessoa, um dos principais escritores da humanidade, disse sobre certa vez sobre este conceito:

“Uma das palavras mais maltratadas têm sido, no entendimento que há delas, é a palavra oportunidade. Julgam muitos que por oportunidade se entende um presente ou favor do Destino, análogo a oferecerem-nos o bilhete que há de ter a sorte grande. (...) Oportunidade, para o homem consciente e prático, é aquele fenômeno exterior que pode ser transformado em consequências vantajosas por meio de um isolamento nele, pela inteligência, de certo elemento ou elementos, e a coordenação, pela vontade, da utilização desse ou desses. Tudo mais é herdar do tio brasileiro ou não estar onde caiu a granada”.

Nossa oportunidade está renovada. Não por sorte, ou por ser lugar de queda de granada. Sigo na missão de minha vida!

Alagoas me trouxe aqui de novo. O povo fez a sua escolha com liberdade e soberania. E decidiu que devemos seguir na missão de governar o Estado.

Concluir o que começamos, corrigir o que erramos, melhorar o que deve e pode ser melhorado, construir o muito que ainda falta construir.

 

Sobretudo, ouvir o povo sobre o quê, como, quando e onde. Aprender com ele; sempre é tempo de aprender. Seguir bebendo na fonte limpa da experiência popular, que é onde está o caminho mais direto pra saber das coisas e das pessoas.

 

Mudar, com o pensamento voltado para a certeza de que nada é permanente, exceto a mudança. Porque ela, a mudança, é necessária, apruma a direção, faz bem ao espírito, estimula o raciocínio e adoça o fígado; a mudança é bonita, quase sempre chega na hora certa – e muitas vezes é inevitável.

 

Estamos começando um novo governo; não do ponto em que paramos, porque não paramos. Um governo é sempre um trabalho em andamento. Qualquer um de nós sabe disso perfeitamente. Não tem feriado, sábado e domingo; não tem folga no encerramento nem na posse. Alguma coisa no governo sempre está funcionando, e quem duvida passe agora em frente ao Hospital Geral, ou à Central de Flagrantes, ou vá à maternidade Santa Mônica. Tem gente nascendo, tem governo trabalhando.

 

Governo não distingue o dia da noite; e nada nele é igual de um dia para o outro.

 

É como a constatação de Heráclito, lá na Grécia antiga: “O homem quando volta ao mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem”. Isso foi dito 500 anos antes de Cristo. Nascia ali a dialética.

 

E até hoje a poesia, a música e a vida nos ensinam a seguir a lição eterna de Heráclito quando, por exemplo, Lulu Santos canta os versos que compôs, nos anos 80, com Nelson Motta:

“Tudo que se vê não é

Igual ao que a gente viu há um segundo

Tudo muda o tempo todo no mundo”.

É a dialética nos ensinando que

“Nada do que foi será

De novo do jeito que já foi um dia

Tudo passa, tudo sempre passará”.

 

Estamos aqui pra cumprir o destino que nós mesmos traçamos. Porque nos acontecimentos é que há destino, não nos sonhos ou desejos.

 

E por falar em destino, veja só que coisa curiosa o destino nos aprontou, ou foi o calendário.

 

O primeiro governo foi marcado pelos 200 anos da Emancipação Política de Alagoas. E este segundo governo se encerrará em 2022, aniversário de 200 anos da Independência do Brasil.

 

Mergulhamos na História de Alagoas e emergimos com o orgulho coletivo retemperado, revisitamos nosso passado e recolhemos dele o aprendizado para o presente e o futuro.

 

Em 2022, é a vez de o Brasil inteiro celebrar o ducentésimo ano da Independência, que como todo processo de libertação não se limitou a um grito às margens do Ipiranga.

Assinalo que, em janeiro de 1822, os dois representantes da jovem província alagoana no Parlamento Português, os deputados Martins Ramos e Marques Grangeiro, se recusaram a jurar obediência à Constituição do Império de Portugal, em apoio à independência brasileira. Juntamente com as representações de Pernambuco, Paraíba, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo, Alagoas foi punida com o afastamento daquele colégio parlamentar pelo ato de bravura e insurgência.

Que a celebração dos 200 anos da Independência seja para nós tão inspiradora quanto foram os 200 anos da Emancipação.

 

Temos quatro anos até 2022. Daqui pra lá, é muito trabalho pela frente.

 

Estamos partindo agora de um ponto muito melhor do que quando começamos em 2015.

 

Não é exagero afirmar que, em diversos aspectos, graças a Deus, Alagoas foi privilegiada pelas circunstâncias – e pelo trabalho da equipe.

 

A linha geral de ação, na gestão de governo, é impulsionar o que está dando certo e sanar eventuais lacunas do mandato anterior.

 

Precisamos que os nossos gestores mantenham o compromisso, que foi seguido no primeiro governo, de sempre se debruçar sobre aquilo que pode ser melhorado, e que muitas vezes melhora com mudança de atitude. Acomodação cria mofo.

 

Só chegamos até aqui porque este é um governo insaciável na cobrança de resultados. É assim que se mantém a capacidade de gerir o governo. E a vida nos mostra que eles, os resultados, se não são cobrados, demoram a chegar, ou não chegam nunca.

A cobrança de resultados não é, nunca foi e nunca deve ser uma rotina tirânica; muito menos afirmação pueril de autoridade de um sobre outro.

 

É, antes de tudo, um desafio que cada um deve fazer a si próprio, e que se tornará estimulante e instigante quando vem do outro. A cobrança de resultados, feita da maneira certa, será recebida até como elogio – porque só se cobra resultados daqueles que são capazes de realizá-los.

 

(Um técnico de futebol não vai cobrar de um segundo suplente do lateral direito o show de bola de um Roberto Firmino, que aliás, nos últimos dias deu um show pelo Liverpool e fez seu primeiro hat-trick da carreira.)  

Devemos aperfeiçoar a estrutura administrativa do Estado, com um modelo mais ágil, mais enxuto e transversal, como os novos tempos reclamam e a nova política do país nos exige.

 

Queremos prosseguir conquistando avanços em competitividade, em transparência que nos distinguiu de outros estados nesses quatro anos, e em gestão fiscal.

(Sobre solidez fiscal, hoje mesmo, dia primeiro de janeiro de 2019, em artigo publicado no jornal Estado de São Paulo, a economista Ana Carla Abrão, destacou o trabalho feito por Alagoas que nos colocou na primeira posição em solidez fiscal entre todos os Estados do Brasil pelo ranking de competitividade dos estados do Centro de Liderança Pública e da Tendências Consultorias Integradas.)

 

O controle de gastos será feito com lupa ainda mais potente, para que se extraia de cada centavo do dinheiro público o máximo possível, e até o que parece impossível. Se no primeiro governo foi preciso apertar, neste segundo vamos ter que inventar um cinto ainda mais potente.

É assim, cortando ainda mais o desperdício, eliminando privilégios que acaso tenham restado e suprimindo funções semelhantes e encavaladas, que faremos o que o povo precisa, entregaremos os cinco hospitais em construção que Alagoas espera; colocaremos mais UPAs em funcionamento, facilitaremos consultas, exames, cuidados especiais e faremos mutirões de cirurgias para utilizar de maneira plena toda a nova estrutura que estamos erguendo.

 

Faremos o que for necessário – porque já fizemos e somos capazes – para continuar avançando na bela obra educacional que inauguramos em Alagoas, depois de muitos anos de mesmice e abandono.

Vamos implantar mais escolas em tempo integral. É um investimento com retorno social comprovado, no curto, médio e longo prazos. E não vamos nos acomodar com o avanço conquistado no IDEB. Podemos e vamos progredir mais.

Os programas de segurança pública não podem e não terão um milímetro de recuo, porque o combate à violência e ao crime não tem trégua. O Ronda nos Bairros, a Força Tarefa de Segurança Pública, a instalação dos Centros Integrados de Segurança Pública (CISPs), o novo IML, os rádiocomunicadores digitais, os novos batalhões da PM vão prosseguir firmes e serão reforçados. Vamos buscar todos os meios para incrementar o investimento em tecnologia, inteligência policial, perícia forense, armamento, munição e equipamento de trabalho; sobretudo no capital humano da Segurança Pública, com concursos para reforço do contingente, adestramento e capacitação.

 

Alagoas tem e terá o Governo das Águas. Encaramos a universalização da água como a Constituição define a saúde: um direito de todos e dever do Estado. A implantação de adutoras no Canal do Sertão para abastecer as cidades, matar a sede das pessoas e dos animais será prioridade.

Da mesma forma, avançar nas obras de cobertura do esgotamento sanitário, e potencializar o programa de melhorias habitacionais nas grotas, que tem o apoio da ONU e melhorou a vida de milhares de famílias.

 

Para conquistar avanços sociais, Alagoas precisa de mais desenvolvimento econômico.

 

Vamos impulsioná-lo com as ferramentas de que já dispomos e criar novas, para induzir ao investimento do capital privado no turismo, nos serviço e na indústria; mantendo a qualidade das estradas, cuidando do meio ambiente, do ambiente de negócios e incentivando os atrativos culturais que Alagoas oferece; enfim, turbinando ao máximo todos os potenciais econômicos de nosso Estado.

Com isso, esperamos incrementar a agenda do emprego, intensificar os programas voltados para o campo, melhorar a produção da nossa agropecuária com a diversificação dos cultivos, a qualidade e a saúde dos nossos rebanhos, a piscicultura, a carcinocultura... E trazer novos modelos para financiar e oferecer assistência técnica ao homem do campo e facilitar a logística de produção e distribuição de produtos.

Por falar de aproveitar todos os potenciais, destaco com alegria as vantagens que nos são trazidas pela ascensão do CSA à Série A do Campeonato Brasileiro e a permanência do CRB na Série B. O nosso Trapichão estará no centro das atrações das duas principais séries do futebol nacional.

Uma comissão de especialistas e técnicos já iniciou o processo de reforma no estádio, que vai da ampliação à adequação, para melhor receber torcedores de todo o Brasil. O Rei Pelé é uma “joia”, foi e é o divisor de águas do futebol alagoano.

Falei sobre as oportunidades decorrentes do futebol alagoano e me vem a cabeça, aqui na Casa de Tavares Bastos, Lamenha Filho, ex-presidente dessa Casa e ex-governador de Alagoas. Vou contar uma história!

(...)

Senhores deputados, senhoras deputadas

Nosso Estado mudou em quatro anos.

Quem não se lembra dos “anjinhos” do Sertão? Fomos durante décadas o estado onde mais bebês e crianças morriam por diarreia e desidratação, as doenças da miséria.

Enquanto no Brasil os estudos apontam que o número de crianças que vão morrer antes de completar um ano de idade cresceu após 26 anos de quedas consecutivas, Alagoas teve a maior redução da região Nordeste e está entre os nove Estados do país que conseguiram reduzir esse indicador nos últimos três anos de crise econômica, segundo o Ministério da Saúde.

Alagoas terá uma rede hospitalar de média e alta complexidade atendendo a todas as Regiões como nunca teve. Destaco o que estão sendo construídos neste momento: Hospital Metropolitano e Hospital da Mulher, em Maceió, ambos quase prontos; Hospital Regional da Zona da Mata, em União dos Palmares, Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia e Hospital Regional do Norte em Porto Calvo. Além disso, triplicamos leitos do Hospital de Emergência do Agreste, entregamos novas UPAs, ambulâncias e colaboramos com o financiamento da saúde nos municípios. Esse é, de longe, o maior conjunto de investimentos em saúde da historia de Alagoas e vai gerar em saúde pública 10 mil empregos diretos.

No quesito Educação Pública, o que era só promessa de muitas gestões se fez realidade com a construção de 50 escolas em tempo integral que mantêm milhares de jovens o dia inteiro em um ambiente que ensina, estimula a descoberta e revela talentos.

Hoje, as escolas públicas de Alagoas colecionam campeões de olimpíadas nacionais de matemática, de física e robótica, antes nem professor nessas áreas nós tínhamos.

Com o programa Escola 10, conseguimos criar uma sinergia, uma cooperação eficaz com municípios alagoanos o que nos levou ao maior crescimento do Ideb, índice que qualidade da educação básica, aferido pelo MEC. Ver Alagoas ser destaque em educação para nós é novo e motivo de muito orgulho.

O programa Escola 10 virou lei, nosso governo, com o apoio dos senhores e senhoras deputados e deputadas, institucionalizou o modelo, que agora não é mais de governo, é de Estado.

Nos próximos quatro anos, vamos seguir melhorando a qualidade do ensino, estimulando a criatividade e aptidões de nossos alunos e elevando ainda mais os nossos indicadores do IDEB com a construção de mais escolas em tempo integral, de mais ginásios de esportes que estimulem a prática esportiva, de centros de educação integral no interior e na capital e colocando em prática ações inovadoras como a oferta de bolsas de iniciação científica júnior e cursos de qualificação profissional em áreas mais carentes.

Outra ação inovadora e com grandes resultados no nosso governo foi o Vida Nova nas Grotas. Até a atual gestão, a população da periferia a das grotas de Maceió era praticamente invisível aos olhos dos poderes. A exclusão social agravada pela geografia acidentada dessas comunidades impunha a esses maceioenses uma carga ainda maior de dificuldades.

Nossa parceria com a ONU/Habitat para mudar esse cenário é um sucesso absoluto. Com obras e ações de mobilidade, habitação, saúde, cultura e prevenção à violência já beneficiamos mais de 135 mil moradores de 47 grotas. Seguimos trabalhando mais 40 comunidades e vamos chegar as 300 mil pessoas que tanto aguardaram a presença do Estado.

Os pontilhões, escadarias e corrimões, áreas de convívio e de lazer levaram a essas comunidades muito mais do que mobilidade e segurança no ir e vir. Deram dignidade, visibilidade, cidadania e inclusão.

 

A amplitude dessas mudanças e como elas transformam a percepção e o sentimento de seus moradores se revela de diversas formas. Por exemplo, quando os jovens Weverton, Lucas e Junior, do grupo de Hip Hop Família do Grutão intitulam seu coletivo musical como “família”, estão revelando união, integração, cooperação. E o pertencimento que essas intervenções geraram nas pessoas é resultado do sentir-se acolhido e visto pelo poder público. Quero dizer a eles que eu assisti o vídeo do grupo no Youtube e me comprometo a construir a quadra poliesportiva que tanto desejam.

Na Segurança, conseguimos quebrar um paradigma. Com muita dedicação e trabalho duro, porque reverter indicadores tão arraigados e enfrentar o crime organizado não é uma tarefa fácil. Fizemos concursos, convocamos policiais, construímos e reformamos delegacias e batalhões, equipamos as polícias e apostamos também na prevenção. O resultado eu não me canso de repetir e divulgar porque é motivo de muito orgulho para todos nós: tiramos Alagoas do topo do ranking dos Estados mais violentos do país e fecharem os dados de 2018 espero que estejamos fora das 10 primeiras posições. Um resultado e tanto!!!

Programas como o Força-Tarefa, que já está presente em 29 municípios, e a construção de Centros Integrados de Segurança Pública foi o caminho que encontramos de interiorizar de forma mais vigorosa a atuação das polícias.

Aqui em Maceió, o Ronda no Bairro expandiu a cobertura das forças de segurança. No primeiro bairro a receber o programa, o Jacintinho, em pouco tempo de atuação, foi devolvida aos moradores não apenas a sensação de segurança, mas o direito a sentar no banco da praça e bater um papo com os vizinhos, olhar a lua ou de abrir seu comércio até mais tarde e sem grades nas portas.

Para finalizar, quero voltar a falar aqui de outra de nossas prioridades para os próximos quatro anos: A universalização do acesso à água.

Em 2019, o inspirador livro de Graciliano Ramos, Vidas Secas, completa 80 anos de seu lançamento. Em um dos trechos daquela obra, o vaqueiro Fabiano descreve para sua mulher, sinhá Vitória, a água que não existia.

“Se achassem água ali perto, beberiam muito, sairiam cheios, arrastando os pés. Fabiano comunicou isto à sinhá Vitória e indicou uma depressão no terreno. Era um bebedouro? não era... Fabiano exaltava-se, procurava incutir-lhe coragem. Inventava o bebedouro, descrevia-o, mentia sem saber que estava mentindo”.

Cenário como este, felizmente, já não faz parte de nossa realidade, mas que nos sirvam de lição. A realidade de hoje é o avanço do Canal do Sertão, com mais de 113 quilômetros levando água para mais de 200 mil alagoanos em oito cidades.

Além disso, perfuramos mais de 700 poços, construímos quase quatro mil cisternas, recuperamos nascentes e implantamos sistemas de dessalinização. A implantação de adutoras no Canal do Sertão vai abastecer as cidades, matar a sede das pessoas e do gado será nossa prioridade.

Muitas vezes, pequenas ações geram algumas revoluções importantes na vida das pessoas. E aqui faço um registro da história de dona Maria do Céu, que mora no Povoado Ouricuri, em Mata Grande, onde fiz uma visita para ver como estava funcionando os sistemas de dessalinização.

A família de Maria do Céu só tinha acesso a um poço de água salobra. A água doce só chegou em 2017 e a libertou de uma rotina sofrida e penosa de ter que buscar o líquido vital a meia hora de caminhada de casa em um barreiro. Eram quatro viagens por dia.

Ela nos relatou: “Quando a gente ia dar banho nas crianças, todos pequenininhos, eles choravam. Diziam: ‘mãe, essa água é tão salgada’. Aí doía, porque eu não tinha emprego, não tinha nada, e a roça não rendia porque também não tinha água. Eles se queixavam do banho que era com detergente ou sabão em pó pra tirar o sal”. Esse é o relato emocionante de uma sertaneja que tomou banho de chuveiro pela primeira vez há pouco mais de um ano.

São estes resultados e as histórias como as escritas por mestre Graça e as vividas por dona Maria que me fazem prosseguir na vida pública, como quem quer oferecer tudo que tem, pela felicidade coletiva de um povo. "As gentes das Alagoas são meus mais profundos quereres" me permitam assim dizer. E se conseguir, nesses próximos quatro anos, realizar novamente o apalavrado, serei o homem mais feliz do mundo.

 

MUITO OBRIGADO