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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Quinta, 08 Novembro 2018 14:06
FORMAÇÃO CIDADÃ

Projetos socioculturais mudam a vida de jovens nas comunidades de Maceió

Lançamento de videoclipe faz parte das atividades da Oficina de Hip Hop do Programa Vida Nova das Grotas

Jovens da Grota do Grutão gravam clipe da música FDG é o Lugar Jovens da Grota do Grutão gravam clipe da música FDG é o Lugar Divulgação
Texto de Daniel Borges

O trabalho da Secretaria de Estado da Cultura (Secult) tem dado bons resultados nas grotas e comunidades carentes de Maceió. Semanalmente são oferecidas oficinas socioculturais gratuitas, que usam a arte como instrumento de formação cidadã. São aulas de cultura popular, dança, Hip Hop, percussão, coco de roda, teatro e artesanato.

 

Um exemplo é a oficina de Hip Hop, que tem revelado grandes talentos da periferia. Realizada pelo Governo de Alagoas, por meio dos programas Na Base da Cultura, no bairro Osman Loureiro, e Vida Nova nas Grotas, na Grota do Grutão – entre os bairros da Gruta de Lourdes e Murilópolis, a oficina leva aos moradores o despertar do pensamento crítico através do Hip Hop, suas práticas artísticas e significados.

 

Segundo a secretária de Estado da Cultura, Mellina Freitas, os projetos promovem o acesso e a popularização da cultura. “Entendemos a cultura como aliada nas ações voltadas para a redução nos índices de criminalidade, violência e vulnerabilidade social. Implantar atividades culturais nesses bairros é uma forma de democratização e inclusão social", disse.

 

Conhecido como MC Tribo, Nando Rozende é o responsável por incentivar a garotada a soltar a imaginação e criar versos para as canções. Músico, educador e produtor cultural, ele é fundador e vocalista da banda Favela Soul, vencedora do 2º Festival de Música popular Em Cantos de Alagoas.

 

“Não tenho como medir a importância que é realizar um trabalho como esse, mas posso dizer que é algo transformador, tanto para mim, quanto para os alunos. Levar sociabilidade e sentimento de pertencimento a uma comunidade não tem preço”, diz o professor.

 

De acordo com Nando, a recepção dos moradores está sendo muito positiva. “Melhora a autoestima, a valorização do local e a apropriação de sua cultura. Também conseguimos perceber a resposta da comunidade em relação aos jovens, demonstrando incentivo em forma de palavras. Só tenho a agradecer pela abertura do Governo do Estado e da Secult, pela oportunidade em desenvolver essa missão e por me oferecer condições para a realização desse trabalho”.

 

Família do Grutão

A arte do movimento Hip Hop nas grotas está levando aos jovens a valorização de si mesmos e das comunidades, substituindo a violência pela força das ideias e palavras. O fenômeno representa uma resposta política e cultural da juventude da periferia. “No microfone eu represento a periferia” diz um trecho da canção “FDG é o Lugar”, dos FDG Mc’s, fruto da oficina de Hip Hop. É a voz do jovem da  periferia eternizada em um vídeoclipe gravado na própria comunidade, que ganhou novas cores com a revitalização.

 

Na letra, eles falam sobre o viver na favela, desigualdade, violência, opressão e preconceito. Falam das mudanças que o Programa Vida Nova na Grotas está fazendo na comunidade e pedem paz. O nome FDG quer dizer Família do Grutão e foi escolhido pelos alunos no processo das aulas. “As letras são composições dos jovens, construídas de forma coletiva nas aulas e o conteúdo poético é relacionado ao contexto em que eles vivem”, afirma Mc Tribo.

 

“Essa experiência mudou a minha vida, antes não pensava como penso hoje. Hoje vejo o mundo diferente. Vejo melhor as coisas através do poder do Hip Hop. Enxergo meu semelhante melhor, sem julgar pela história de vida. Aprendi que devo dar forças para o próximo para que ele não desista e não pare. Me sinto mais confiante com as aulas e com as pessoas que me apoiam. Antes eu não tinha toda essa confiança”, disse Lucas Gomes, 17 anos.

Para Weverton Douglas, 19 anos, é uma experiência única: “Através do Hip Hop aprendi muitas coisas. Ter esperança, respeito e mais consciência na vida”, disse.

 

O jovem Junior Batista dos Santos, 21, relatou que os projetos socioculturais têm mudado a vida de todos da comunidade. "É uma experiência sem comparação. Vi muitas mudanças de vários jovens que andavam perdidos nas drogas e hoje estão ocupando a mente nos projetos do Governo". Para Junior, as oficinas de Hip Hop foram uma oportunidade de descobrir seu talento. "Eu abracei essa oportunidade de poder gravar as minhas músicas e ser um pouco conhecido na comunidade. Hoje vivo com minha mente voltada para a música, meu modo de pensar mudou para melhor e me sinto feliz com o projeto do Rap. Isso mudou minha vida", comemorou.