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Sábado, 03 Novembro 2018 10:19
SAÚDE CAPILAR

Dermatologista da Sesau explica a diferença entre queda de cabelo e calvície

Apesar de se manifestarem com características semelhantes, diagnóstico e tratamentos são diferentes

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Especialista explica sintomas e tratamentos para diferentes tipos de queda Especialista explica sintomas e tratamentos para diferentes tipos de queda Carla Cleto
Texto de Marcel Vital

O cabelo é um dos fatores de maior peso na imagem do rosto. A sua queda, em quantidade elevada, geralmente acarreta um sentimento de baixa autoestima e perda de confiança. Muitas mulheres e homens ficam apreensivos com a quantidade de fios “perdidos” diariamente. Mas o que grande parte não sabe é que a queda normal é diferente da queda patológica, isto é, quando há alguma causa por trás da perda de cabelo, geralmente atrelada à vulnerabilidade do organismo.

 

De acordo com Cleide Vieira, dermatologista da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), há que saber distinguir uma perda de cabelo fisiológica, que pertence à evolução natural do ciclo capilar, do outro tipo de queda, relacionada com situações patológicas. É normal, segundo ela, perder um pouco de cabelo todos os dias. A troca de fios faz parte da renovação capilar e acontece sempre de forma moderada. Em média, uma pessoa sem problemas capilares perde cerca de 100 fios diariamente.

 

“Os fios podem cair na hora de pentear, secar ou lavar os cabelos. Isso acontece porque o cabelo tem um ciclo de vida, onde nasce, cresce e morre”, explica. Já a queda do cabelo propriamente dita ocorre de forma acentuada, com muitos fios deixando o couro cabeludo de uma só vez, criando falhas nas madeixas.

 

Cleide Vieira acrescenta que a queda capilar pode ser associada a diversos fatores, entre eles à falta de ferro e de vitamina D, doenças de tireoide ou infecciosas, a exemplo da pneumonia. Além disso, momentos de alto estresse, tanto físico como emocional, também podem resultar na perda dos fios. “A melhor forma de evitar o problema é mantendo uma boa alimentação e procurar um especialista, que irá passar exames de rotina a fim de diagnosticar a verdadeira causa e indicar o tratamento adequado para cada paciente”, pontua.

 

A dermatologista ressaltou que não existe diferença clínica da queda de cabelo do homem para mulher. “As queixas mais comuns são vindas das mulheres, visto que elas têm os cabelos mais longos. Até porque os homens têm os cabelos curtos e, por conta isso, não se incomodam tanto. A maior reclamação deles no consultório é quanto à calvície, porque o pai ou alguém na família possui e eles já estão percebendo as entradas. Eles querem tratar, prevenir e evitar”, afirma.

 

Segundo ela, a principal causa de queda de cabelo nos homens é a alopecia androgenética, motivada pela ação da testosterona que atrofia o folículo. Os primeiros sinais podem surgir no início da idade adulta, sobretudo se há antecedentes familiares. A queda é mais acentuada nas têmporas e na coroa e, em certos casos, resta cabelo apenas na zona lateral e na nuca. Existe ainda a alopecia areata, motivada por uma reação autoimune ou predisposição genética que pode ser desencadeada pelo estresse, por exemplo, e que se caracteriza pelo aparecimento de peladas em um ou vários pontos da cabeça.

 

Nas mulheres, a queda está associada ao estresse, agressões externas, acontecimentos traumáticos, oscilações hormonais e a medicamentos. Conhecido como eflúvio telógeno, caracteriza-se pelo aumento da queda diária de fios de cabelo. “Seu aumento é visto principalmente na lavagem ou na escova quando penteamos”, explica a médica. De acordo com Cleide, o eflúvio se divide em dois tipos: agudo e crônico. São subtítulos que compartilham a queixa de queda aguda, mas são clinicamente distintos.

 

“No eflúvio agudo, ao invés de termos 100 a 120 fios caindo diariamente, temos 200 a 300 fios, dependendo do paciente e da causa”, afirma, alertando que os eventos mais associados à queda são o pós-parto, a febre, a infecção aguda, a sinusite, a pneumonia, a gripe, dietas muito restritivas, doenças metabólicas, além do estresse. Algumas medicações também podem desencadear o problema. Tudo isso pode interferir na proporção dos fios na fase de queda. Em geral, 70% dos casos têm o agente descoberto. Já nos 30% restantes a causa acaba por não ser definida.

 

Já no eflúvio telógeno crônico os fios caem muito, assemelhando-se à versão aguda, porém se difere dela em longo prazo. Há ciclos de aumento dos fios na fase de queda, de forma cíclica, uma ou duas vezes por ano, ou a cada dois anos, dependendo do paciente. Conforme o tempo passa, o paciente fica com o cabelo mais volumoso na base e menos volumoso no comprimento.

 

O cabelo fica mais curto e com o “rabo de cavalo” mais fino. Se o paciente só tiver essa condição, não ficará com o cabelo ralo no couro cabeludo. Porém, seu problema pode estar associado a outras condições que causam rarefação dos fios. De qualquer forma, perde-se muito volume e comprimento. “O problema nem sempre tem causa definida, mas sabe-se que está associado a doenças autoimunes, sendo a mais comum a tireoide de Hashimoto”, afirma Vieira.

 

Cuidado no salão

 

Tratamentos químicos como alisamento, progressivas, descoloração e tingimento podem causar estragos irreversíveis aos cabelos, tornando-os frágeis. Além disso, prender e repuxar gera uma tração que pode contribuir para a queda de cabelo. “Os tratamentos térmicos, como as chapinhas e secadores, podem causar danos à estrutura interna dos fios, o córtex. O calor pode desnaturar – mudar a forma – a queratina, proteína responsável pelas propriedades mecânicas, como elasticidade e resistência dos fios de cabelo. Portanto, essa modificação na estrutura interna pode afetar os fios de maneira negativa”, resume a dermatologista.

 

Outro fator que pode comprometer muito a saúde do fio é dormir com os cabelos molhados. De acordo com a dermatologista da Sesau, se você se deita com o cabelo molhado ou úmido, os fios provavelmente se enrolarão, causando nós e, consequentemente, danos prolongados, já que nesse estado eles ficam mais propensos à quebra. “Fungos gostam de ambientes úmidos e dormir com o cabelo molhado pode contribuir para sua aparição e crescimento, levando a problemas no couro cabeludo e à caspa”, disse.

 

Tratamento e soluções

 

Conforme a dermatologista, diante da suspeita de queda de cabelo, o paciente deve consultar um especialista para um diagnóstico exato. Dependendo do caso, poderá ser recomendada a realização de exames de sangue para investigar desde um problema na tireoide até anemia ou infecções no geral. “Podemos sugerir a ingestão de suplementos ou aplicação tópica de produtos que restabeleçam o equilíbrio capilar e estimulem os folículos. Corrigir ou suspender os fatores que motivam a queda, como, por exemplo, questões hormonais e fármacos também é essencial”, finaliza a médica.