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Segunda, 11 Janeiro 2016 16:01

Pediatra do HGE diz o que fazer quando a criança cai ou bebe substância tóxica

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Quedas e ingestão de remédios ou substâncias cáusticas está entre as principais causas de acidentes domésticos com crianças, diz pediatra. Quedas e ingestão de remédios ou substâncias cáusticas está entre as principais causas de acidentes domésticos com crianças, diz pediatra. Carla Cleto/Ascom Sesau

Que criança gosta de brincar correndo e com o proibido, isso todo mundo sabe. Mas o que fazer quando elas caem ou bebem algo que não deve? A pediatra do Hospital Geral do Estado (HGE), Leda Claire, alerta que queda de árvores e ingestão de remédios ou substâncias cáusticas está entre as principais causas de acidentes domésticos atendidos na emergência pediátrica; e muitas delas poderiam ser evitadas com maior atenção dos próprios pais.

Kauan Gabriel da Silva tem apenas sete anos de idade, mas já tem muita história para contar quando o assunto é acidente durante as brincadeiras. No HGE, ele aguarda, ao lado do pai, o agricultor Francisco da Silva, cirurgia para corrigir fratura supracondiliana do úmero, o popular “braço quebrado”, já agendada para esta segunda-feira (11).

“Eu acordei e corri apressado para ir à casa do meu amigo, do outro lado da rua. Então tropecei e caí”, disse sorrindo, sem reclamar de absolutamente nada. “Foi um susto, mas rapidamente o peguei e trouxe para o hospital”, continuou o pai de Kauan, ambos residentes em Chã Preta.

Fraturas supracondilianas de úmero são as mais frequentes, pois elas acontecem quando, após queda para frente a criança se apoia com a mão e causa uma hiperextensão do cotovelo. “Nesses casos, os vasos sanguíneos e nervos dessa região podem ser contundidos, comprimidos, ou até mesmo lacerados por fragmentos ósseos”, informou a pediatra.

Mas os acidentes domésticos não se limitam a quedas. O próprio Kauan disse que já engoliu água quando entrou demais no rio e já se queimou ao pegar na água quente. “Eu tento ter cuidado, mas eu trabalho e tenho outros filhos. Ao todo são dez, e nem sempre a gente consegue ter alguém de olho neles”, justificou o agricultor.

A pediatra reforça que não se pode deixar criança longe da vista dos pais, principalmente com idades inferiores aos cinco anos. “Não adianta mandar parar de correr, até porque elas têm muita energia e isso é saudável. O que se deve é evitar é brincar em lugares altos, tenham acesso fácil a remédios, materiais de limpeza ou qualquer outro produto químico; brincar com animais bravos ou desconhecidos, e ter a consciência de que cozinha não é lugar para criança”, destacou Leda Claire.

Primeiros socorros - “Em casos de acidentes, não sabe o que fazer? Leve logo ao hospital mais próximo”, é o que aconselha a pediatra Leda Claire. Mas se não houver tempo para o deslocamento, a especialista orienta alguns procedimentos de primeiros socorros que podem ser adotados pelos responsáveis pela criança.

Em caso de quedas e afogamentos, a médica pede que os pais observem o surgimento de sintomas diferentes do normal, como perda de consciência, palidez, vômitos, alterações no comportamento (sonolência ou agitação excessivas) e dor no pescoço.

“Caso não esteja respirando, aplicar as manobras de ressuscitação, desde que haja alguém apto para fazer isso. Em especial no afogamento, enrolar a criança para aquecê-la”, explicou. “E se for um mero corte, lave-o com água e sabão. Se houver sangramento, pressione a área o máximo que puder”, continuou.

Na ocorrência de queimaduras com fogo e escaldamento, a orientação é lavar com água corrente e levar para o hospital. Mas em quadros de queimadura elétrica, a situação é mais delicada, pois a corrente percorre uma área maior do corpo da criança e pode acometer, inclusive, órgãos internos. “Chame o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e certifique-se de que a criança está respirando; se não estiver, caso saiba, inicie as manobras de ressuscitação”, informou a pediatra.

Em caso de intoxicação, ainda que desconhecendo o motivo, é necessário que seja descrita as informações com detalhes. “Enquanto a ajuda não chega, evite que a criança pule ou fique muito agitada. A criança de pé favorece que esse tóxico desça mais rápido. Se tiver engolido um remédio, não dê água, leite ou qualquer outro líquido, pois isso vai fazer com que a substância tóxica seja absorvida mais rapidamente. O mesmo vale para o vômito: nesses casos, nunca estimule a criança a colocar o que ingeriu para fora, pois a substância irá passar outra vez pelo canal e elevar o risco de sequelas”, explicou Leda Claire.