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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Sexta, 01 Junho 2018 14:15
ARAPIRACA

Pesquisadores exploram soluções internacionais para convivência com o semiárido

Apoiado pela Fapeal, Programa de Desenvolvimento Regional inicia o diálogo com Universidade de Israel

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Pesquisadores de nosso Agreste e Sertão apresentaram seus dados sobre as tecnologias alternativas para armazenar água no semiárido Pesquisadores de nosso Agreste e Sertão apresentaram seus dados sobre as tecnologias alternativas para armazenar água no semiárido Ascom Fapeal
Texto de Naísia Xavier

É comum ouvir que Israel, o país, é do tamanho de Sergipe, o estado brasileiro. Lá, pelo menos 55% do território nacional se encontra no deserto do Negev. Para sobreviver, nos últimos 60 anos, Israel se fez líder em tecnologias para reaproveitamento de água, produção agrícola em condições de escassez e captação de energia solar.

 

Seria possível traçar algum tipo de paralelo com Alagoas? Pesquisadores de lá e de cá responderam que sim, dialogando sobre o assunto no campus da Ufal de Arapiraca, nessa quarta (30), em evento a respeito das similaridades nos estudos das áreas áridas, semiáridas e desertos.

 

Dos 102 municípios alagoanos, 38 estão no semiárido e, portanto, suscetíveis à desertificação, devido à degradação ambiental em períodos de ainda menos chuvas. Dados de 2016 afirmaram que pelo menos 230 mil km² do Nordeste se encontravam em processo de desertificação.

 

Em Alagoas, estudos apontam que 63% dos municípios apresentam áreas em processo de desertificação, sendo os níveis mais graves registrados nos municípios de Ouro Branco, Maravilha, Inhapi, Senador Rui Palmeira, Carneiros, Pariconha, Água Branca e Delmiro Gouveia.

 

No workshop em Arapiraca, pesquisadores de nosso Agreste e Sertão apresentaram seus dados sobre as tecnologias alternativas para armazenar água no semiárido. Por sua vez, uma cientista brasileira que atua no deserto do Negev, em Israel, veio acenar com a oportunidade de intercambio para brasileiros que se interessem pela experiência daquele país.

 

O evento, no entanto, não foi apenas acadêmico. Graças à articulação do Sebrae, também participaram do diálogo  a Cooperativa dos Produtores Rurais de Arapiraca (Cooperal) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Alagoas (Fetag), além dos estudantes de graduação e pós-graduação em Agronomia, Zootecnia e Biologia.

 

Conhecimento e soluções 

 

A professora Mariah Tenório é doutora em forragicultura, ramo da ciência que estuda as plantas utilizadas como forragem animal e a interação delas com os animais, controle de solo e meio ambiente. Bolsista do Programa de Desenvolvimento Regional (DCR) da Fapeal, ela falou a respeito das diversas tecnologias alternativas utilizadas para captar recursos hídricos nas áreas mais secas e com menos infraestrutura e das técnicas de manejo sustentável dos recursos florestais da Caatinga.

 

E muito disso são as soluções desenvolvidas ao longo do tempo pelos próprios habitantes locais, em seu quotidiano, que vêm a se aperfeiçoar através do conhecimento técnico de especialistas e são difundidas por ações governamentais.

 

Patrimônio 

 

Também foi apresentada uma pesquisa sobre etnobotânica, ou seja, a relação das pessoas com as plantas do seu ambiente, para construção do seu modo de vida, que mapeou o conhecimento popular sobre as plantas do semiárido alagoano, a partir da experiência de vida de assentados rurais, que delas tiram remédios, combustível, abrigo, asseio e alimentos para si e para os animais. O responsável pelo levantamento é o professor Henrique Costa Hermenegildo, biólogo com doutorado em ciências florestais. 

 

Intercâmbio 

 

De Israel, veio a pesquisadora brasileira Isabel Portugal, bióloga especializada em aquicultura, e doutora em estudos desérticos, com PhD em biotecnologia. Ela apresentou sua instituição de pesquisa, a Universidade Ben-Gurion (BGU), localizada entre o deserto do Negev e a antiga Judá.

 

A instituição tem interesse em alunos pesquisadores estrangeiros, e ofertas bolsas para tanto. Dentre as linhas de pesquisa com potencial considerável de interesse para os pesquisadores do semiárido alagoano, estão: Energias alternativas (combustíveis verdes, solar, termoelétrica) e pesquisa em deserto e água (agricultura e aquicultura desertas, recursos hídricos; sobrevivência em terras secas).

 

Os interessados nas oportunidades de pesquisa internacional na BGU podem encontrar mais informações neste link. E em novembro próximo, Fortaleza recebe o 2º Biward, Workshop Brasil-Israel de Pesquisa e Desenvolvimento em Agricultura e Água, com o tema “Tecnologias da água e agricultura sustentável — inovação para o desenvolvimento de terras secas”.