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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Segunda, 11 Setembro 2017 14:45
ALAGOAS 200 ANOS

Escolas apresentam forte identidade com bairros de Maceió

Unidades de ensino Correia das Neves, Rotary e Bom Conselho são referência em suas comunidades há décadas

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História da Escola Estadual Bom Conselho, em Bebedouro, confunde-se com a história do próprio bairro e seus moradores História da Escola Estadual Bom Conselho, em Bebedouro, confunde-se com a história do próprio bairro e seus moradores (Foto: Valdir Rocha)
Texto de Ana Paula Lins, Manuella Nobre e Lucas Leite

Na sexta reportagem da série especial sobre as escolas históricas da rede estadual, três unidades trazem consigo uma forte identidade com os bairros de Maceió onde estão edificadas: Escola Correia das Neves, no Prado; Rotary, no Tabuleiro do Martins; e Bom Conselho, em Bebedouro.

 

Fundada em 1954, a Escola Estadual José Maria Correia das Neves se confunde com a história do bairro do Prado. Em uma época em que grande parte da população maceioense se concentrava na parte baixa da cidade, a unidade, situada na Rua Agnelo Barbosa, surge para atender à demanda educacional de bairros como Prado, Ponta Grossa, Trapiche e adjacências. O nome é uma homenagem ao advogado que foi secretário de Justiça, Saúde e, também, interventor, no início da década de 1940.

 


(Foto: Acervo / Escola José Maria Correia das Neves)

 

“Sempre foi uma escola muito importante para toda a comunidade, uma referência. Atendemos toda a região da Ponta Grossa, Vergel, Prado, Trapiche, hoje com 880 alunos. A escola Correia das Neves sempre foi destaque, desde outras épocas. Nossos alunos conquistaram bons resultados em olimpíadas de História, Matemática, programa Jovens Embaixadores, dentre outros”, revela o diretor da unidade, José Ednelson.

 

“Dentro das comemorações dos 200 anos de Alagoas fizemos estudos sobre a escola e seu patrono, o Dr. José Maria Correia das Neves, ex-morador da região, sempre preocupado com as questões locais, inclusive no cuidado de fundar esta escola”, declara a professora de Língua Portuguesa, Silvana Gomes dos Santos.

 

A professora Arlete Ramos construiu uma história de vida com a escola. Entrou no grupo escolar em 1963, ano em que foi eleita aluna destaque da instituição. Ao concluir o antigo primário, Arlete foi para a outra unidade de ensino. Quis o destino, porém, que voltasse como professora de Literatura, em 2001.

 

“A vontade de querer fazer algo mais pela escola me levou a concorrer à direção, onde fui eleita por duas gestões. Até hoje tenho muito carinho pela escola”, conta Arlete, atualmente diretora da Escola Estadual de Ensino Integral Rodriguez de Melo, na Ponta Grossa.

 

60 anos de história no Tabuleiro

 

Já na parte alta da capital, especificamente no Tabuleiro do Martins, encontramos a Escola Estadual Rotary. A unidade de ensino, que em 2017 completa 60 anos, é conhecida pela sua qualidade de ensino, tendo um dos melhores desempenhos da rede estadual no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), atingindo pontuação 5.0.

 

A ex-servidora e ex-aluna Marinilda da Silva Menezes conta que a unidade escolar marcou a sua vida. Ela tinha apenas 10 anos de idade quando estudou na instituição e, naquela época, já sonhava ser professora. E quando conseguiu realizar o seu sonho, quis o destino que o seu primeiro emprego na rede estadual fosse na Escola Rotary.

 

“Trabalhei, na época, da 1ª a 4ª série. Como eu era uma boa alfabetizadora, ficava com as turmas que tinham as crianças mais novas. Para mim foi uma ótima surpresa voltar para a Rotary e passar 29 anos exercendo a profissão da qual eu tenho tanta saudade”, relembra a ex-professora.

 

Atualmente aposentada, Marinilda se tornou uma amiga da escola, e sempre é convidada para os eventos. A diretora Célia Martim, que acompanhou os últimos anos de exercício da ex-professora, não economiza elogios à colega. “Acompanhei a Marinilda em exercício. Ela sempre foi dedicada, apaixonada e comprometida com o que faz”, elogia.

 


(Foto: José Demétrio)

 

Bom Conselho: o tesouro de Bebedouro

 

Quem passa por Bebedouro não fica indiferente à Escola Bom Conselho. A escola, que fica lado a lado com o imponente prédio cor de rosa que abrigou o antigo Asilo das Órfãs Desvalidas, ainda é, após 140 anos, uma referência para o bairro, confundindo-se com a sua própria história.

 


(Foto: Valdir Rocha)

 

Artigo do site História de Alagoas, disponível no link http://www.historiadealagoas.com.br/historia-do-asilo-das-orfas-desvalidas-nossa-senhora-do-bom-conselho.html, relata que o Asilo das Órfãs Desvalidas Nossa Senhora do Bom Conselho foi fundado em junho de 1877, para receber as filhas dos soldados alagoanos mortos na Guerra do Paraguai.

 

O espaço, inicialmente administrado por senhoras da sociedade alagoana, passou posteriormente para a Ordem das Irmãs Sacramentinas, vindas da França, em 1904. Em 1938, passa a se denominar Escola Normal Rural Nossa Senhora do Bom Conselho, enquanto, em 1964, inicia a oferta do curso pedagógico como Colégio Bom Conselho. Nos anos 1990 é incorporado à rede estadual de ensino, passando a se chamar Escola Estadual Bom Conselho.

 

A professora Fátima Gomes chegou à escola como interna e teve toda a sua formação no Bom Conselho. “Aqui foi a base do meu conhecimento. Desde aquela época, a escola sempre já era muito respeitada em Bebedouro”, recorda.

 

Após concluir seus estudos, Fátima se formou professora de Geografia, casou-se, foi morar no Rio de Janeiro. E, quando voltou a Alagoas, foi lecionar em outras escolas. Mas o reencontro com a antiga casa do saber não tardaria a acontecer.

 

“No ano de 2001, quando vim tomar posse, após aprovação em concurso, estava tudo certo para eu lecionar no Jacintinho. Mas uma professora que morava naquele bairro perguntou se eu não queria trocar com ela e ir para o Bom Conselho. E foi aí que eu retornei. Parece que foi uma coisa de Deus”, diz, emocionada, a educadora, que hoje atua no suporte pedagógico da unidade de ensino.

 

Inspiração

 

A arquiteta e escritora Nara Melo Sá foi aluna do Bom Conselho nos anos 1960 e lembra, com nostalgia, do espaço uma de duas fontes de inspiração para a sua obra “As gêmeas de Bebedouro e a poética do espaço habitado”.

 

“Fui aluna nos anos 60, quando havia o internato feminino, mas já estudei no externato. O Bom Conselho, na época, nos transmitiu educação no molde europeu. Hoje, vejo ele ainda contribuindo significativamente na educação de jovens e adolescentes”, frisa.

 

Na gestão desde 2016, a professora Damiana Melo relata com animação os projetos vigentes na instituição. “Procuramos estimular o protagonismo juvenil entre nossos alunos, que são muito criativos. Um destes projetos é a reativação da banda fanfarra, que esteve no Encontro de Bandas Fanfarras e já tem outras apresentações agendadas”, adianta.