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AGÊNCIA ALAGOAS

Governo do Estado de Alagoas
Segunda, 29 Fevereiro 2016 10:44
SIMPLICIDADE E RECONHECIMENTO

Através das mãos, João das Alagoas conquista o mundo

Artista, patrimônio imaterial do Estado, estará em exposição comemorativa em alusão à Semana do Artesão

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Com a humildade de um iniciante, há mais de 25 anos mestre João das Alagoas vive exclusivamente de sua arte de escultura no barro; coleciona vários prêmios nacionais e o reconhecimento  internacional com o artesanato Com a humildade de um iniciante, há mais de 25 anos mestre João das Alagoas vive exclusivamente de sua arte de escultura no barro; coleciona vários prêmios nacionais e o reconhecimento internacional com o artesanato Divulgação
Texto de Mirella Costa

O artesanato tem um poder indiscutível de transformação do comportamento de um povo. E se a esperança é um sentimento em que as pessoas enxergam como possível aquilo que acreditam, um ateliê localizado há 60km da capital alagoana, no município de Capela, revela que o segredo da força do homem nordestino está no amor pelo que faz.

Logo na entrada que dá acesso ao município de Capela, na zona da mata alagoana, uma placa sinaliza que ali é o lugar do mestre. Passeando pelas ruas da cidade, todo mundo fala nele, todo mundo sabe quem é ele, todo mundo conta histórias dele e todos sabem onde encontrá-lo. E o personagem está em uma casa, onde funciona a oficina dos discípulos que o mestre João Carlos da Silva Freitas, o "João das Alagoas", apresenta seu grandioso trabalho de escultura no barro. Com uma simplicidade singular, sempre com o sorriso no rosto e um brilho no olhar, seu João fala de sua técnica que dá vida ao barro, tendo a imaginação como sua aliada.

Autodidata, o mestre da cerâmica encontra no estado de Alagoas sua principal inspiração. Ele é responsável por recriar o bumba-meu-boi, figura conhecida na cultura popular brasileira. Com suas mãos, ele faz surgir do barro grandes bois com seus mantos esculpidos em baixo e alto relevo, com histórias do folclore nordestino, das brincadeiras de rua, dos casamentos, dos batizados, enfim, as histórias do povo e suas tradições.

 

Desde os cinco anos de idade que a arte faz parte da vida do mestre que sempre se destacou na escola, quando desenhava e pintava nos cadernos e até nas paredes. “O barro foi uma continuidade da tendência que eu já tinha pela arte. Eu sonhava em ter brinquedos de criança, mas não tinha condições de comprar e foi com o barro que comecei a criar meus próprios brinquedos”, lembra seu João.

 

No risco, o mestre encontra a arte que lhe deu fama

Já adulto, foi trabalhar em outras áreas, mas a arte sempre esteve presente e esculpia nas horas vagas para vender suas peças na capital, Maceió, o que gerava uma complementação de renda. Mas, em 1987, o artista perdeu o emprego. “Quando fiquei desempregado, um amigo meu que já vivia de artesanato, mestre Deodato, disse que era o momento de arriscar e viver da minha arte”, revelou o artista.

Logo no início desta nova fase, durante uma exposição em São Paulo, um marchand identificou a força daquele trabalho e batizou o capelense como ‘João das Alagoas’, nome que o tornou conhecido mundialmente. Muitas vezes desacreditado, entre os altos e baixos, seu João chegou a pensar em desistir, mas, em seguida, sempre aparecia uma oportunidade e o amor pela arte falava mais alto.

Há mais de 25 anos, João das Alagoas vive exclusivamente de sua arte. Em seu currículo ele coleciona vários prêmios nacionais de melhor artesão; uma menção honrosa, em Córdoba, Argentina, diversas publicações em livros de história da arte e muitas de suas obras integram importantes coleções de arte popular que estão expostas em galerias do Recife, de São Paulo, de Belo Horizonte, de Porto Alegre e do Rio de Janeiro. João tem peças expostas também no exterior, como na França, Itália e destaca uma como das mais gratificantes que está exposta no Museu de Cerâmica do México.

 

A arte de João vira paixão

 

Com tantos resultados significantes e uma carreira consolidada, João das Alagoas revela que não tem como medir a importância de tamanho destaque mundial. “Nunca imaginaria que hoje eu poderia viver de arte e ter trabalhos fora do país”, disse o artesão.

Para ele, ser mestre é um título de muita responsabilidade e adquirido através da experiência conquistada ao longo dos anos. É preciso conhecer muito da técnica para poder repassar. “Ensinar uma técnica para pessoas que não conhecem nada da matéria-prima é muito difícil, mas também, é muito gratificante saber que sou um agente transformador e que venho contribuindo para mudar a realidade de muitas famílias, através de uma nova oportunidade de vida”, explicou. 

 

João das Alagoas conta que nunca imaginou adquirir tantas técnicas e que sempre buscou ler sobre diversos artistas renomados. “A arte é a maior paixão da minha vida, esse foi o dom que Deus me deu. Sempre busco a história dos pintores famosos em qual a grande maioria teve a trajetória marcada por tragédias. Se eu não amasse o que faço, já teria desistido”, brinca o artista.

Em seu ateliê, além de produzir as peças de cerâmica, o artesão dá aulas para os interessados em aprender a arte da cerâmica. Entre os seus aprendizes, destacam-se os já reconhecidos artistas Leonilson, Nena, João Carlos (seu filho), Gizé, Marcelo, Sil, Cláudio e Van.

 

Patrimônio Vivo

O poeta Vinicius de Morais escreveu que “viver sem ter um amor não é viver” e é o amor que pulsa dentro de artistas como o mestre João, para que continue encantando o mundo com suas obras e diante de qualquer dificuldade que surja não desistir nunca do sonho.

Em 2011, o mestre João das Alagoas recebeu o título de Patrimônio Vivo do Estado de Alagoas. Hoje é reconhecido como um dos maiores escultores do país.

Para valorizar, fomentar e reconhecer o trabalho e a história das pessoas que dedicam à vida aos trabalhos manuais, de 17 a 22 de março, o Governo de Alagoas vai realizar no Memorial à República uma semana de atividades alusivas ao Dia do Artesão.

Durante a semana, a população poderá visitar exposição das peças com as principais tipologias do artesanato alagoano, no hall principal do Memorial, das 9h às 20h. Ainda nas atividades, serão realizadas palestras, oficinas criativas e a comercialização do artesanato no caminhão loja da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Os visitantes terão, ainda, a estrutura de uma praça com os food trucks, no estacionamento da Praça Marcílio Dias.

 

Serviço:

 

Nome: João Carlos da Silva Freitas

 

Contato: (82) 9986-8521

 

Endereço: Rua José Pio de Barros, 114, Capela – Alagoas

 

 

Com a humildade de um iniciante, há mais de 25 anos mestre João das Alagoas vive exclusivamente de sua arte de escultura no barro; coleciona vários prêmios nacionais e o reconhecimento internacional com o artesanato